quinta-feira, 17 de abril de 2008

Meu baú

Encarei minha alma de frente, fixei os olhos em meu coração, busquei no lugar mais fundo, no canto mais escuro de mim. Vasculhei lembranças, [re]organizei pensamentos.

Encontrei pó e caixas fechadas, segredos trancafiados contrastando com portas escancaradas, fotografias desbotadas coladas em papéis velhos cheirando a mofo.

Passei por tudo isso e fui mais fundo, encontrei um baú negro como ébano com um cadeado que reluzia. Não havia um milímetro de pó naquela caixa enorme, parecia ter sido colocado a pouco.

Forcei a tampa, ela não abriu, puxei o cadeado e era de aço, aquele baú todo era imponente, parecia impossível de se abrir.

Senti um peso no pescoço, uma corrente pendurada que eu nunca havia visto, a corrente era comum, mas havia um pingente em forma de chave. Não, era uma chave realmente, bonita e floreada. Segurei e senti como era gelada, firme, como o aço do cadeado.

Tirei o colar e testei a chave no cadeado, encaixou.

Um vento gelado bateu em meu rosto e deixou um peso em meu coração, senti uma angústia fechando minha garganta, algo amarrando meus pulmões. Senti medo e dor regados com frio.

Era como a caixa de Pandora, mas eu não podia deixar de abri-la. Meus segredos deviam estar ali, minhas vontades, meus sonhos, meus desejos...todas as respostas que sempre procurei em vão. Era preciso abrir, por mais horrendo que pudesse ser, era preciso encarar-,e de frente, sem rodeios, sem meias-palavras.

Abri.

O baú estava vazio! Não havia um misera resposta, um pequeno sonho, não havia nada ali.

Senti as lágrimas caindo, aquecendo meu rosto, meus lábios contraindo, cerrei os dentes e chorei até não haver mais nada em mim, até tudo que eu tinha de bom ou de ruim se esvair em líquido pelos olhos.

Recostei-me nas paredes da minha alma, e respirei fundo, aspirei aquele ar fétido e tentei limpar meus pensamentos.

Foi quando vi, um número gravado ao lado da caixa, parecia feito com canivete, era fundo e torto. Passei os dedos pelos sulcos na madeira contornando as marcas do número quatro. Suspirei como se me sentisse aliviada, alguma coisa sobre mim era revelada. Olhei novamente o baú e havia um papel rasgado, em marcas quase imperceptíveis li a sentença: INVEJA.

Era eu...era meu...a inveja.

Não era uma resposta, não era um sonho ou um desejo, mas era uma paixão, uma fixação. Era algo, era palpável...era o início de uma nova caminhada.


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