sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O fim do fim, começo do início

Sentada, abraçando meus joelhos observo o ambiente, a tempestade de outrora se transformou em uma garoa fina e tranqüila, completamente diferente das gotas pesadas e doloridas que caiam anteriormente. As gotas leves misturam-se a minhas lágrimas, que caem sem nenhum esforço, apenas se soltam sobre a face.
O quadro é todo cinza, um deserto cinza, as poucas árvores são desse tom e não tem mais folhas, seus troncos secos se mostram imponentes e não se importam com todo o resto. O céu ainda exibe as nuvens espessas e acinzentadas da tempestade que passou, sinto que se erguer meu braço posso pegar o ar, tão pesado que esta. Há destroços em tudo que olho, pedaços de minha vida estão ali, jogados, destruídos...pedaços de mim. Muita coisa boa se quebrou, mas também coisas ruins.
O cinza me oprime, me sufoca, mas sinto a esperança aumentar a cada minuto em meu coração ferido, e a cada vez que a brisa leve toca meu rosto sinto vibrar a paz em meu peito, é quando vejo um pouco de cor. Eu posso respirar agora, mesmo que seja esse ar espesso, e eu encho meus pulmões, sinto a energia da vida de volta as minhs veias.
Meus pensamentos voam por tudo que está ali, algumas coisas perdidas, outras esperando que sejam reconstruídas, há ainda as que precisar ser construídas. Vejo alicerces para erguer, paredes para subir...há muito que precisa ser feito.
Minha maior preocupação é reconstruir tudo da maneira certa, não quero mais bases fracas, construções frágeis.
Vejo um relógio quebrado, ao lado de uma agenda desfolhada, uma ampuleta quebrada exibe sua areia, que escorre pelas rachuras, e eu percebo que é isso que devo fazer primeiro: consertar os relógios, organizar meu tempo. É o que farei, enquanto o próprio tempo me puxa para dentro dele e me dá mais 365 dias completos.
Renascerei...

[...to be continued...]
 

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Tempestade



O furacão chegou silencioso, bagunçou um pouco as coisas pelo caminho até aqui, mas foi só quando chegou que pude perceber o tamanho do desastre.
Tirou pouco a pouco as coisas do lugar e, então, tudo estava rodando sobre minha cabeça. Eu não podia respirar, eu mal consegui me mover, meus olhos tinham areia e, não podia ver, meus ouvidos só escutavam o som abafado do furacão.
Faz tanto tempo que ele se aproximava, eu sabia, meu coração sentia, só não admitia. Minha alma ouvia seu aproximar silencioso, mas fechou-se e fingiu que era uma tempestade qualquer, não era. Não é.
Agora estou aqui, no olho do furacão, onde há calma, aquela falsa e plastificada calma, levitando enquanto vejo tudo ao redor desmoronar, todo o pouco que tenho ruir. Quer me jogar ao chão e chorar, correr e fugir, me esconder em um esconderijo seguro longe de toda a confusão, mas o furacão não permite, ele me prende e me obriga a ver tudo, sem poder fazer nada.
Poucas vezes é possível sentir uma brisa suave e calmante que dá um fôlego novo, que enche de esperança e ajuda a suportar, é o que me lembra que depois de toda tempestade vem o sol, não importa quão forte tenha sido o furacão. Porém vez ou outra eu sou só uma folha ao vento esperando ser apenas pó.
No meio disso tudo continuo vivendo, não dá para pausar a vida, nem pedir para que ela espere a tempestade passar.

Eu só preciso de um porto seguro, algo que me prenda ao chão...