quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Eu, Montanha


Estranho estar onde se queria estar, é como subir uma montanha alta, sentir aquele frio tomando todo ventre, você se esforça para chegar ao topo e, a chegada é extasiante, você conseguiu! Subiu cada centímetro daquela terra, escorregou algumas vezes, tropeçou muitas, sentiu falta de ar, achou que não conseguiria, pensou em desistir, mas não, continuo e quando menos esperava o topo se mostrou com toda sua imponência.
Aquele sentimento único de conquista se apodera do seu ser, você lutou, sonhou, buscou, desejou...conseguiu! Por alguns minutos aproveita todo o sentimento, a ansiedade te deixa em paz durante esse tempo, a única coisa que você se permite sentir é essa honra, você pensa em quantas pessoas tentaram, tentam e ainda tentarão, quantas desistiram no meio da montanha quantas voltaram só de olhar para cima. Por poucos instantes você se sente o dono da montanha, não consegue esconder o sorriso, enche os pulmões do ar puro da vitória, sente o arrepio que passa pelo corpo arrepiando os pêlos, a excitação...é perfeito.
Olha para baixo, vê todo o horizonte, algumas coisas acabam se tornando pequenas, outras, mesmo do alto, continuam gigantescas. A paisagem é linda, você a merece, lutou por ela, conquistou-a.
Fecha os olhos, puxa todo o ar possível para os pulmões e aproveita os últimos segundos daquela sensação, daquela visão, então, se volta para as pedras novamente e, só então, percebe: depois que se alcança esse pseudo-topo a montanha continua se erguendo, ainda mais majestosa, ainda mais imponente, é como se ela te encarasse, dizendo "Pobre criança, você ainda não alcançou nem metade, o topo está tão distante e, você, tão pequena e insignificante, acreditando que já tinha me domado. Tsc tsc...crianças!".
Todo o sentimento de extase foge do peito, ainda há tanto para subir, você se pergunta se é realmente capaz, se realmente quer continuar, e principalmente, se pode continuar, se tem capacidade suficiente. "Quanto tempo eu agüento sem ajuda de oxigênio? Será que tenho a sensibilidade necessária para continuar subindo, saberei em que pedra pisar, onde me apoiar?".
O medo toma conta do extase, a montanha, antes amiga, se torna inimiga, tudo ao redor toma proporções gigantescas, apenas você diminui, um ser insignificante frente a um monstro do tamanho...do tamanho... de uma montanha. A ansiedade mais uma vez toma o peito, mastiga os nervos e engole toda calma, tudo precisa ser feito logo, tudo precisa ser rápido! "Tenho uma montanha para subir, ela não espera, preciso correr!"
Entre temores e ansiedades, você respira um pouquinho, vez ou outra se lembra da conquista, não é tão pseudo assim, afinal, você deu o primeiro passo, alcançou o primeiro objetivo e, que graça teria se parasse por aí?
É nessa hora, quando você toma consciência que uma conquista, por menor que seja, sempre será uma conquista, que percebe: a montanha, a real montanha, a que te encara, te provoca, te cobra, te diminui, tem um rosto conhecido, trejeitos familiares, ela é o pior inimigo do ser humano, o próprio ser humano. Você vê que a montanha começa a tomar forma humana e, estupefata, percebe que é como olhar um espelho, a montanha é você. É você que se cobra, é você que se intimida, é você seu principal inimigo.
Essa descoberta te amedronta e tranqüiliza ao mesmo tempo e, é, durante ela que percebe vozes ao seu lado, que te apóiam, que acreditam em você. Percebe também que tem sempre aquela voz mais sussurada, sempre ao pé do ouvido, que te conhece melhor que ninguém, que durante a escalada segura sua mão, te puxa e se, puder, te carrega para cima a força.

A voz que te ajuda na luta contra você mesmo...

A voz que me ajuda na luta contra mim mesma...

Continuo em batalhas diárias contra minha montanha, alcancei um objetivo e, agora, luto pelo próximo. Vez ou outra a montanha me encara e tira toda minha confiança, então, a voz vem, ou eu mesma, e retomo o controle. E assim vou, em caídas e recaídas em busca do próximo objetivo, lutando para não cair desse e perder tudo que alcancei.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Dezenove

Quase um mês desde o último post que segui terminava com "to be continued", e esse não sera exatamente a continuação daquele, mas será. (Deixo tudo muito claro como sempre!rs)

Muita coisa mudou desde que eu tinha dezoito aninhos até agora, nos meus dezenove e um mês. rs. E é verdade, mudou mesmo, nunca um aniversário me trouxe tanta coisa nova.
A comemoração por si só já foi perfeita e, me dói saber que quem a fez ser tão perfeita, teve um aniversário péssimo por essa que vos fala, mas...ainda consertarei isso!
Flores roxas, livro, bolsa, morangos, beijos, amor...perfeito.

Foi também no meu aniversário que finalizei meu portfólio on-line, tomei vergonha na cara, fiz um mais simples do que queria, mas com tudo que precisava pôr de conteúdo, claro que ainda falta muito, mas ele já me rendeu duas entrevistas (uma que será amanhã e a outra que foi sexta retrazada) e um estágio. Sim, um estágio! E tem como ficar mais feliz? Vou estagiar em uma agência de publicidade, coisa que sempre sonhei com aquela ponta de "será que vai acontecer?".

A cena agora é colorida, as árvores estão verdinhas, exibindo majestosas frutas suculentas, a grama cresce e o orvalho fino recobre a paisagem, dando ainda mais brilho. O sol banha com seus raios amarelos a paisagem, se joga em meu rosto e me aquece, vez ou outra uma brisa suave me acaricia a pele e eu sorrio, com as cócegas que o ar me faz. A terra quente em que me sento me aceita com um filhote em um ninho, e vez ou outra eu tomo a água do rio que corta a estrada, brinco em sua água e sorrio mais uma vez. Ainda há muitos destroços da paisagem, coisas que realmente não pude arrumar ainda e outras que deixei passar, mas pouco a pouco as coisas vão tomando seu lugar.
Meu coração, contraditório, vez se parece afogar em si mesmo fingindo não ver a paisagem e, mais uma vez me fecho em mim, porém, eu acordo e revejo tudo, sorrio de novo, penso como alguém pode se dar o direito de ter o coração pesado com tanta coisa boa acontecendo.
Ainda há muita coisa para arrumar, um coração para limpar, uma mente para organizar, e vou fazendo isso aos poucos, tentando não me deixar meu coração voltar a se afogar.

Nesses vaievems da vida, eu vou indo, aproveitando as paisagens verdes e me afogando na escuridão, e no espaço eu sinto o amor florescer das flores secas.