quinta-feira, 30 de julho de 2009

Terror

Desistir, insistir... decidir. Do pouco que eu sabia só restou a rima pobre, verbo com verbo, sangue com sangue, dúvida com dúvida. Dormi cheias de certezas, decisão tomada, peito leve.

Acordei flutuando e as horas seguiram, até me deparar com a certeza ao lado, que não é minha, mas grita, me bate. Ri das minhas dúvidas, da minha ignorância imatura, da falta de sonhos. Ela fortalece minhas incertezes, fortalece meu não. Me enfraquece, me aterroriza...

Decidir mesmo com a certeza que intimida, decisão tomada, plano feito... agora não estará mais apenas nessas mãos precoces.

domingo, 26 de julho de 2009

...faxina...

Precisando limpar novamente as teias d'alma. Me reconhecer (de novo), lembrar de quem sou, do quero, do que preciso...
Queria saber se escrever ajuda no processo ou se é só uma ilusão.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Fazer valer

Quero escrever um livro e pintar um quadro. Ver filmes e ouvir meus cd’s. Reler cartas e fotografar pessoas. Beijar, abraçar e tocar.
Abraçar essa dor que me toma, acariciar essa ansiedade que consome. Beber da sede de gritar que me rouba noites de sono, engolir o ócio que recheia minhas tardes entediantes, sugar para dentro de mim todas as respostas que minha alma insiste em buscar.
Quero versos despidos de vergonhas medíocres, sem porquês, nem ‘paraquês’, me banhar da arte da escrita.
Acima de todo querer, quero me embalsamar de palavras, me enroscar na teia de narrativas ricas, no emaranhado de entrelinhas cheias de conceitos inalcançáveis.
Eu só quero viver uma vida que valha a pena.

Quando não consigo mais formar minha teia...me volto para teias alheias!

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Última exibição

É no fim que ele começa, quando a cortina se fecha que o espetáculo dele toma forma. Recheado de beijos e carinhos, de flores e perfumes, atenção e aplausos.
Lá no fundo do palco, quase na coxia, que os segredos finalmente são sussurrados, que os sorrisos florescem entre lágrimas, que o calor envolve os beijos, os toques, os corpos. Só depois do final da peça que seus olhos se enchem de desejo, de um desejo desesperado, descontrolado, na verdade tudo calculado.
O protagonista se envolve em magia, se recheia de fantasia e a busca, ela, atriz principal. Ele revela promessas, cria juras, recita sonhos. Ela, frágil, se entrega a toda ilusão pós-espetáculo, se encanta, se permite envolver...se entrega.
Chega a hora de mais uma exibição, bilheteria esgotada, cadeiras cheias. As cortinas se abrem.A protagonista entra em cena, segue o roteiro, diz suas falas, canta sua canção, dá a deixa ao ator principal e... espera...ele não vem. Estático, atrás da cortinas, não dá um passo sequer em direção ao palco. Esqueceu suas falas? Tem medo do público? O teatro se cala, espera, ela se cala, espera, ele se cala, não se move.Decepcionado o público segue, quer de volta o ingresso. Decepcionada ela fica, quer de volta o coração. Devolve, moço, o coração dela. Caída no chão, ela olha o teatro, as cadeiras se esvaziando, cada rosto que se levanta a olha em mistura de pena e ódio. Mais uma vez não houve flores, nem mesmo aplausos, nem mesmo vaias. A platéia se foi silenciosa. Quando o último espectador deixa a cadeira uma lágrima escorre nos olhos da atriz, e depois outro, e logo uma enxurrada toma seu rosto. As cadeiras vazias se transformam em cacos, pedaços de um coração vagabundo, perdido na luz dos holofotes.Ela olha para ele, ele olha para ela. Em grito engasgado ela diz, DEIXARA O TEATRO.
Ele recomeça seu ato, corre ao encontro dela, busca seus beijos, diz que na PRÓXIMA EXIBIÇÃO SERÁ TUDO DIFERENTE, ELE FARÁ O QUE DEVE. TERÁ FLORES, CHOCOLATES, APLAUSOS.
Dessa vez ela não o olha, foge de seus abraços, corre de seus toques, não olha para os olhos castanhos que incedeiam do mesmo desejo.
Dessa vez o espetáculo não voltará a se repetir... as cortinas se fecharam, e ela não estará para a próxima exibição.