segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sangue, Rosas e Vinho Tinto

Uma taça e um gole. Uma rosa e um suspiro. Um corte e... a morte.

O líquido balança pelas bordas do delicado vidro da taça, balançando por dentre os dedos esguios da moça. A outra mão leva a flor vermelha as narinas, que sugam seu odor para dentro e devolvem um suspiro descrente.

O silêncio invade a penumbra da sala tão arrebatador quanto uma multidão gritando palavrões.
Raios da Lua escapam por entre a cortina entreaberta junto com a brisa gélida da noite de inverno.

As mãos se inverteram, a taça pousou sobre os lábios e cuspiu o líquido agridoce para dentro da criatura. O vinho queimou a boca como se madeira em brasa, era só sabor...

Os olhos semi-cerrados se apertaram com força. A garganta prendeu o suspiro de dor. Todos os dedos se fecharam com força, e as mãos se apertaram contra o peito e o face.

Cacos de vidro. Espinhos. Sangue.
Vinho. Pétalas. Sangue.
Vermelho. Vermelho. Sangue.

Lágrimas e alívio.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Reflexos

E essas pessoas pré-fabricadas que andam pelas calçadas e procuram uma coisa nova para (re)dizer. Que andam olhando do pé a cabeça toda gente que passa ao seu lado para (re)criar o figurino marcado e poder desfilar.
Que conversam com um sugando o que dizem para na conversa com outro (re)emitirem cada palavra.
Essa pessoas que se construíram com migalhas de outras, que não se preocuparam em criar seus próprios tijolos. Só reflexos zanzando pela cidade em busca de frases prontas, de opiniões mastigadas, mentiras consumadas para (re)contar.

São só reflexos... sou só um reflexo.

Meu coração já se cansou de falsidade
(de Santa Chuva, Maria Rita - ouvindo agora)