quarta-feira, 18 de abril de 2012

Liberdade



Silêncio.
Escuridão.
Monstros escapando do armário. Histórias sendo tecidas ao contrário.
Medo.
Algo que se prende na garganta. Impede o ar de me curar.
Concentra. Tem vida aqui. Respira. É só
imaginação. É só?
Deixa os monstros virem para a luz. Deixa. Eles não são tão feios quanto se pinta.
Encara a sombra, ela é irmã da luz. Ilumina os cantos. Vem, vem comigo.
Agora somos só nós. Você e eu. Mas sempre foi?
Esquece as máscaras, vem se mostra. Se entrega.
Deixa para lá e me dá a mão. Essa mão que sangra o compromisso.
Desfaz a aliança, joga fora o pedido. Vem, estamos livres de nós mesmas. 

domingo, 15 de abril de 2012

Chega!

Meu corpo fraqueja e eu resisto. Puxo o ar pra dentro dos pulmões com a força de quem quer vida e coragem de volta.
As lágrimas caíram todas sem ninguém para seca-las. Abracei o vazio muitas vezes, procurei colo na escuridão. Mas a voz que gritava a minha perda se calou. E o silencio já não me incomoda. A solidão vai se tornando companheira.
Seco minhas próprias lágrimas, curo minhas feridas e decido seguir em frente. Não, não vou mais olhar pra trás.

domingo, 1 de abril de 2012

"E meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria..."

"...e quando eu estiver triste, simplesmente me abrace"

Pedi apoio e não encontrei alicerce.
Pedi companhia e me vi sozinha.
Pedi colo e chorei na escuridão fria.
Supliquei carinho e só houve vazio.

E quando minhas forças se extinguiram, o ar se prendeu no meu peito, as lágrimas escorreram sozinhas para um lago de fraqueza e solidão. Mantive meu sangue nas veias para que aqueçam meu corpo, segurei as dores em mim e naveguei para longe.
E as juras de amor se apagaram, em vão procurei por seus braços, minguei em mim para longe das dores. Para longe de tudo que não fosse luz. Minhas sombras encobriram meu peito e meus lábios se fecharam mordidos. Amarrei minha loucura na alma, camisa de força no amor. Corri. Corri.
Fugi.
Cai.
Morde a língua para não dizer te amo.
Prende a respiração para não correr para perto.
Se fecha. Mingua. Se perde. Destrói.
Sozinha de novo, na prática de novo. Na teoria, pela primeira vez.
Fim.
Fim?
Que importa o senso das letras se meu peito não sabe mais o que é bom senso?
E a outra parte de mim? A outra parte de nós?
Nós? Não existe mais nós... existiu? Quando nós se concretizou nos tornamos eu e ele. Já faz tempo que o nós partiu, do ventre que sangrou.
Quando nos unimos em um, viramos três. Partiu. Quebrou.
Mas ele estava lá, ele viu partir. Ele me viu abrir.
Não aguentou. Dói demais ver a escuridão da fêmea. Ninguém sabe como é até encarar.
É difícil abraçar as sombras. É difícil apoiar as dores, os cortes, as cicatrizes. Os monstros da alma afungetam os homens. Os monstros das mulheres são medonhos.
É difícil encarar a escuridão da lua cheia que mingua. Foi difícil encarar a luz brotando do ventre. Hoje ele sangra, hoje ele mingua, hoje é a sombra que brota.
Importa agora? Importa, importa.
Quero chorar. Quero entender. Queria um abraço daquele que não encontro mais, ele se perdeu nas sombras dele. Talvez seja as dele que não suportou.
Se tornar pai é abandonar o filho que já foi. Como nasce um pai?
Como morre um amor?

Não quero sangue, só quero amor.
Acabou.

"E quando eu estiver morto, suplico que não me mate, dentro de ti..."