segunda-feira, 21 de maio de 2012

'Seleia'...

Ela mergulhou com Sedna, foi fundo, mas no ponto errado. Confundiu dor com ódio e se afundou em veneno.
Quis proteger o coração partido e se revestiu de uma armadura embebida em raiva e decepção. Só não percebeu as lâminas do lado de dentro. Elas aumentavam o corte, sangravam a carne, amplificavam qualquer golpe externo e tudo ficava mais fundo, mais dolorido. Era orgulho, era medo. Muito medo.
A armadura também tampava os olhos, e ela não via bem. Não via a chance escapando, não via o amor sendo destruído. Não via...
Ela tenta tirar a armadura, mas ela fincou na pele, as lâminas são ganchos que fisgam a carne. É preciso tirar devagar, com cuidado. É preciso emergir, voltar a superfície.
Jogar a armadura é reconhecer o amor, mesmo no coração partido. É esquecer o orgulho.
É poder nadar livremente, é recuperar o amor.


sábado, 19 de maio de 2012

Mea culpa

De um lado a vida que clama atenção. Do outro, a morte pedindo o luto. Nego a morte, desrespeito a vida.
Me perco no limbo entre o amor incondicional e a dor dilacerante. Meus pés não tocam o chão da realidade, minhas mãos negam o espelho de verdade.
O silêncio provoca vozes inconstantes. Meu ódio fere a vida e a vingança atinge a inocência.
Mea culpa.
Os juízes fecham os olhos e me ignoram e o veredicto é falso e incompleto.
O sorriso se apaga no veneno, e as lágrimas escorrem em dobro e sem final.
A dor reabre as portas da alma e dois sentem a mesma lâmina gelada.
Como liberar a dor do peito em pedaços?

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Mergulhando com Sedna.

E ela sorriu entre lágrimas de sangue. Havia medo naqueles lábios, dor em seu peito, insanidade em seus olhos.
A carne aberta, exposta, todas as dores de fêmea traída. Entregou seus segredos para o carrasco em pele de príncipe. Agora o bobo da corte tripudiava em seu coração.
Sentia a fisgada do coração partido. Havia abandonado a armadura e o corte foi profundo.
Ela sabia, a dor estaria ali pra sempre. Ela sabia. Teria medo diariamente.
O frio da alma havia voltado muito pior, suas entranhas vazias de fêmea em lua cheia amplificavam tudo.
Seus lábios se abriram quase nada e um som inaudivel escapou: Vem dor, velha amiga, te recebos de braços abertos hoje. Me faz crescer, me ensina, me fortalece.
Que Sedna me guie!