quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Paixões diárias

Tiro um livro da estante e sinto a textura da capa, o cheiro das folhas, o barulho das páginas virando. Meus olhos correm pelas páginas, procuram um trecho ou um capítulo para se apaixonar. Leio cada personagem em busca de um que faça meu coração vibrar.
Busco essa paixão na música, fecho os olhos e ouço cada nota, do jeito de quem não conhece a escala. Meus ouvidos tentam separar os instrumentos, sem sucesso. Quero melodias, estrofes ou um refrão que façam meu coração dançar.
Ando pela cidade em busca de casas, construções e jardins que provoquem meus olhos e me façam sentir. Me deliciam com as curvas, retas, cores e texturas.Quero me apaixonar pela cidade, ou por partes dela.
Respiro fundo para sentir as fragâncias do dia, vou procurando aquelas que me façam sorrir, que iluminem meu dia. Seguro a maçã e sugo o aroma doce da fruta. Busco uma fragância para me apaixonar.
Mastigo a comida devagar, procurando um sabor que se transforme em êxtase, que arrepie cada milimitro de mim. Que eu ame.
Vejo filmes lendo cada personagem, absorvendo cada fala, sentindo cada cena. Me entrego ao filme para que possa encontrar uma paixão.
Toco tecidos, paredes, papéis. Vejo cores, formas, histórias. Ouço melodias, a brisa, o silêncio. Sinto sabores, aromas,
Sigo buscando uma paixão em cada canto, com uma necessidade de gostar das coisas, como se amar a cidade fosse meu combustível para andar por ela. E a procura pela comida que me apaixone aumentasse meu apetite. Talvez seja assim, ou só uma desculpa para me apaixonar por coisas inanimadas.
Um alguém que faça meu coração vibrar já existe, mas às vezes me apaixono por algum livro, outras por um filme. Ora é música, ora um sabor. E sigo, procurando paixões nas coisas cotidianas para que a vontade de fazê-las aumente, ou quem sabe, exista.