sábado, 6 de novembro de 2010

O que meu pai não me ensinou

Meu pai não me ensinou a rezar. Também não me ensinou a fazer o que é certo só porque o deus (ou a deusa) exigia. Não me falou de um lugar que ferve pela eternidade para que eu não pecasse.
Não, ele não falou de nada disso. Ele nem mesmo me falou sobre bem e mal, bondade e maldade, certo e errado.
Ele falou de ética, de bom senso, de observar e pensar. Ele não me deu um mapa, apenas uma bússola. E qual a diferença? O mapa diz para onde ir, mostra o caminho exato, sem falhas, mas ele é finito e quando você chega, ele se torna inútil. Já a bússola não diz exatamente por onde seguir, apenas indica o norte. Ela não mostra o caminho, apenas sugere a direção e é você quem decide. E não importa para onde você vá, mesmo quando segue na direção errada, ela estará lá, indicando o norte.
Foi assim que descobri que posso trilhar meus próprios caminhos sem seguir mapas, apenas ir. E foi nesse caminho que agradeci por não aprender a rezar nem a temer, e que percebi que não há deus que seja carrasco pior do que a própria consciência.