Poesia em tecido
Houve um tempo em que meus olhos brilhavam só de ler uma linha qualquer bem escrita, e um arrepio frio percorria minha pele quando essa linha era minha. Era um tempo em que escrever era mais que prazer, era necessidade. Minha mente viajava em busca de um novo tema, que nem sempre alcançava. Mas ela não parava até sujar uma folha, mesmo que com palavras desconexas. Hoje essa necessidade não é tão forte, mas existe. E junto dela uma outra vem se instalando, essa necessidade não deixa minhas mãos ficarem quietas, me joga um peso no peito e um vazio no estômago. Nasci com essa sede de criar, e o que antes era letra, tornou-se linha. Essa linha vem me cobrando atenção, e ela não quer só um rabisco virtual. Ela quer trabalho duro, quer meus dedos concentrados em uma dança de agulhas, acompanhadas do créc-créc da tesoura pelo tecido. Preciso sentir o cheiro da criação: tecido, papel, linha, cola. Ouvir os dedos roçando em texturas. Encher os olhos de cores e estampas. Preciso criar. En...