segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Soma Feminina




A maior dificuldade que eu tenho nessa minha vida com certeza é essa coisa, óbvia, de eu ser mulher.Os homens nunca vão entender isso, mas ser mulher dá muito trabalho! Vocês acham que não nos entendem, então, imagine não se entenderem, meus queridos e, poderão imaginar a complexidade dessa garota que vos fala.Nós mulheres temos essa coisa irritante da esperança, é nós somos esperançosas, e não, isso não é bom. Não importa o que seja, não importa o quão impossível, nós acreditamos! Temos esperança que os céus olhem por nós e aconteça em um milagre.Acreditamos que se nós arrumarmos bastante ele vai reparar, que hoje pode não ter reparado, mas amanhã é só pôr aquele esmalte cor de sangue e ele vai notar. Temos também isso do drama, usando o mesmo exemplo, a moça vai lá no salão corta muito o cabelo (as pontas, no máximo três dedinhos...não, queridos, dedo de medida não dedo da mão) e quando o namorado vem ver chora até a última gota de líquido do corpo porque ele não reparou. Detalhe que além do corte mínimo, estava de noite e ela prendeu o cabelo, mas isso não é desculpa, ora! Homem que é homem tem que reparar no dedo mindinho da mulher!É, e agora una essas duas características: esperança + drama.Você sabe que é impossível, sabe que não vai acontecer, mas você tem esperança, sabe que por mínima que possa ser a possibilidade existe e acredita nela como se sua vida dependesse disso. Mas, obviamente, não acontece. É ai que o drama começa: como pode não acontecer? Tinha tudo para dar certo!Não, não tinha nada para dar certo. Havia milhares de coisas que indicavam que era impossível, mas você acredita, tem fé! Mulher brasileira, então...Céus! Sabe aquela coisa do brasileiro não desiste nunca? É, para mulher brasileira é nunca mesmo, porque o bicho insistente! Temos fé no país, nas pessoas, na política (nos políticos!), na família, no casamento, na profissão...e a pior de todas as fés: no homem!Nós não só temos fé neles, como acreditamos, confiamos...temos certeza absoluta que ele é diferente de todos os outros. E é. Cada um é de um jeito...(oh, a esperança ai, minha gente!)É herança, gente! Das mulheres de Atenas, das esposas, filhas, irmãs e mães de guerreiros e soldados. Que esperavam sempre que seus homens voltassem inteiros...é, continua no dna!Agora faça a conta: esperança + drama + fé + insistência + tpm + pecado original e origem da sabedoria (assunto para outro post) + manter se no salto, com as unhas feitas, cabelo bem cuidado, pêlos depilados + ser boa mãe, profissional, esposa, dona de casa + a dor de cabeça que os homens dão.O resultado é simplesmente: mulher, não dá outro, não tem como simplificar mais.Por isso, queridos homens de plantão, dêem nos um descanso, aceitem nossos dramas, entendam nossa esperança, porque somos assim, simples como uma equação de física quântica.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Aquarela


É como se eu recuperasse a moça imatura que passava madrugadas entre livros e papéis em branco, que logo se sujavam com suas crises existenciais e seus sonhos sem sentido.É como se ela estivesse de novo dentro do meu corpo, como se nossa alma fosse compartilhada novamente.

Eu a sinto pulsando em minhas veias a cada tombo, quando as feridas novas (ou antigas) voltam a sangrar, ou apenas latejam.

Vejo seu reflexo no espelho sempre que essa vontade de escrever me toma, quando criar se torna mais que desejo, uma necessidade. Seu reflexo é colorido, porém são tons pastéis, que a cada lágrima se desbotam mais.Essa moça me diz que mais uma vez eu devo migrar, deixar esse canto e ir em busca da nova fase, mas não posso, não agora, não já. Aqui é minha morada, "Lar doce lar" como há muito tempo eu não tinha.

Essa mesma moça me faz ver que por mais que pareça que não, nosso passado sempre estará em nós. E por isso, ela me dá esperança. Se ela, a jovem revoltada, está em mim, a outra, a doce criança, se mantém em minha pele, se enrosca em meu peito...

Cada letra aqui deixada é um alivio pro peito, é como sentir a vida correndo novamente. Assim eu sigo, suspirando entre as vírgulas, tomando fôlego nos pontos finais e, esperando...o próximo capítulo.

sábado, 16 de agosto de 2008

Sonhos




A moça, que julgava não ter sonhos, se via ali, sentada, imaginando como alcançar seus pseudo-sonhos. Sim, ela tinha sim sonhos. Era fato. Sua mente fingia não se importar com o que seu coração insistia em não esquecer, planejava inconscientemente táticas para alcança o que queria.
Era bom poder sentir o coração pulsando por algo, deixou então que a mente se importasse. Permitiu-se preocupar com o futuro, se seus sonhos seriam ou não realizados, se um dia poderia dizer que estava onde queria estar.
Fechou o livro, não conseguia mesmo se concentrar naquelas palavras que ligação nenhuma tinham com seus sonhos. E o planejamento tornou-se consciente.
Queria organizar seu tempo para correr em busca de seus sonhos, de todos eles, por menores que fossem.
Pensou nisso até que o sono lhe alcançou, apagou as luzes e dormiu, que o abraço de Morpheu trouxesse-lhe outras espécies de sonhos.