segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Aquarela


É como se eu recuperasse a moça imatura que passava madrugadas entre livros e papéis em branco, que logo se sujavam com suas crises existenciais e seus sonhos sem sentido.É como se ela estivesse de novo dentro do meu corpo, como se nossa alma fosse compartilhada novamente.

Eu a sinto pulsando em minhas veias a cada tombo, quando as feridas novas (ou antigas) voltam a sangrar, ou apenas latejam.

Vejo seu reflexo no espelho sempre que essa vontade de escrever me toma, quando criar se torna mais que desejo, uma necessidade. Seu reflexo é colorido, porém são tons pastéis, que a cada lágrima se desbotam mais.Essa moça me diz que mais uma vez eu devo migrar, deixar esse canto e ir em busca da nova fase, mas não posso, não agora, não já. Aqui é minha morada, "Lar doce lar" como há muito tempo eu não tinha.

Essa mesma moça me faz ver que por mais que pareça que não, nosso passado sempre estará em nós. E por isso, ela me dá esperança. Se ela, a jovem revoltada, está em mim, a outra, a doce criança, se mantém em minha pele, se enrosca em meu peito...

Cada letra aqui deixada é um alivio pro peito, é como sentir a vida correndo novamente. Assim eu sigo, suspirando entre as vírgulas, tomando fôlego nos pontos finais e, esperando...o próximo capítulo.

4 comentários:

alex disse...

que essa menina q volta te traga coisas boas, q te traga a felicidade, vc merece isso, merece muito mais.

pena q percebi tudo isso no fim

tive um sonho ontem, acredite, e estah sendo muito estranho hj em fazer oq vc me disse no sonho.

estranho. confuso. mas gostei, obrigado pela dica, msm q tenha sido em sonho

Camilla disse...

Rô, que saudade dos seus textos. Amo lê-los, você escreve com o coração, assim como eu. Nunca deixe essa menina morrer dentro de você. Eu deixei muitas coisas morrerem dentro de mim e agora pago por isso. Tenho saudade de certos "eus".

Um beijo enorme. Liiindo seu texto.


=)

Leon K. Nunes disse...

Escrever é como receber um choque de morfina, amenizamos dores e tormentos... Às vezes, é a única saída que se pode encontrar. Que essa arte, esse dom, sirva-te, pois então, para recuperar essa moça que tens aí guardada e que ainda se pode sentí-la pulsando.

Quando menos esperar, te sentirás mais leve e livre. E verá que aqueles tempos difíceis, na verdade, eram imprescindíveis; que, se não fossem eles, hoje talvez não fosse a mesma... Lembre disso.

... É muito bom voltar ;)

 Fabíola Weykamp disse...

Que lindo, Rô. Às vezes é bom voltar, estar aqui de verdade. Mesmo que as situações estejam nos tentando a ir pra longe, ver tudo de cima, tudo distante, o coração agora pede para que fiques. E assim cumprirás com o que tens de fazer aqui, ai onde estás: entre linhas bem escritas e um capítulo a espera, quase pronto, quase saltando desse coração.

Adoro vir aqui!
Lindas e sensíveis linhas. Nada de revolta, só um coração maior que o peito!

Beijão, guria!!!