segunda-feira, 21 de maio de 2012

'Seleia'...

Ela mergulhou com Sedna, foi fundo, mas no ponto errado. Confundiu dor com ódio e se afundou em veneno.
Quis proteger o coração partido e se revestiu de uma armadura embebida em raiva e decepção. Só não percebeu as lâminas do lado de dentro. Elas aumentavam o corte, sangravam a carne, amplificavam qualquer golpe externo e tudo ficava mais fundo, mais dolorido. Era orgulho, era medo. Muito medo.
A armadura também tampava os olhos, e ela não via bem. Não via a chance escapando, não via o amor sendo destruído. Não via...
Ela tenta tirar a armadura, mas ela fincou na pele, as lâminas são ganchos que fisgam a carne. É preciso tirar devagar, com cuidado. É preciso emergir, voltar a superfície.
Jogar a armadura é reconhecer o amor, mesmo no coração partido. É esquecer o orgulho.
É poder nadar livremente, é recuperar o amor.


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