sábado, 7 de março de 2009

Apenas um conto (ou não)

Não sei a autoria da imagem, mas os olhos me cativaram, tão irreais e cheios de vida!

Roupas sujas espalhadas pelo quarto, esperando para serem lavadas. Roupas limpas esperando serem passadas, dobradas, guardadas. Um corpo jogado sobre uma poltrona vermelha, frente a uma parede de vidro que refletia a lua branca e redonda.
Um copo de uma bebida em uma mão que pendia ao lado da poltrona, não havia sequer tocado os lábios. O rosto da mulher sobre a poltrona era indiferente a tudo, seus olhos, vazios, fitavam o nada, mesmo assim ela via o reflexo da gestação lunar pelo canto dos olhos, observava tudo ao redor sem retirar o olhar do vazio.
Em sua mente rodavam pensamentos perdidos, procurava desenhar o limite tênue entre a loucura e a sanidade, entre o amor e o ódio, entre o sexo e o amor. E que diferença isso tudo fazia? Nenhuma, mas esse era um detalhe que não importava.
Tentava descobrir quantas vezes ultrapassava esses limites, sem nem mesmo perceber. Quantas vezes se jogou na loucura doentia do ódio contra si mesmo, da certeza de que a vida era maravilhosa, mas ela não tinha nascido para viver. Não podia contar nos dedos, não podia nem mesmo se lembrar de todas e, mesmo assim, sobreviveu. Podia dizer para si mesmo dizendo como era forte e guerreira, sobreviver a insanidade que a jogava em buracos negros emocionais.
Mentira. Não era guerreira, tão pouco forte, se estava viva era única e exclusivamente pela falta de coragem em não largar tudo. E mais uma vez, que diferença fazia? Seu corpo indicava que estava viva, pedia comida, ar, água, carinho, amor, beijo. E sua alma o que indicava? No exato momento, só o vazio que os olhos falsamente fitavam.
Feridas imaginárias sob a pele, sangue psíquico escorrendo sobre a alma, lágrimas que já não se importavam mais em rolar e, todo o resto, eram só palavras cuspida em um papel.

1 comentários:

Fabíola disse...

Qualquer comentário que eu possa imaginar, não chega ao que realemente senti lendo o teu conto (ou não). Só queria te dizer, Rô, que essa tua intensidade tranquila, dá um nó na garganta e me deixa sem comentários. O que acredito, que não sou a única.

Adorei te ler novamente. Saudades.
Um beijo com carinho.