sábado, 11 de abril de 2009

Fragmentos



Hoje acordei procurando poemas, palavras escritas, cantadas ou não. Afiado como uma navalha, donde escorresse sangue e suor, onde a Morte voltasse para me visitar.
Procurei um poema que não falasse de amor, que fosse apenas um espelho de minha alma, que trouxesse de volta esse arrepio, suspiro daquela Senhora, que me sussura no ouvido essas palavras mal ditas.
Primeiro procurei fora de mim, nas legiões perdidas, nos zepelins fugidos. Não encontrei. E me vi obrigada a fazê-lo, começou com versos, rimas frustradas, e agora segue, em prosa ao som de Pétalas*, acompanhado de chocolate vagabundo e de uma ainda busca pelo zepelin (IV), já que a legião (V) realmente evaporou-se.
A procura das palavras aos poucos vai se esvaindo, como o sangue que corre pelo corte aberto, como a vida que foge da ferida fatal, como uma alma que se faz em frases. E com a calma do olho do furacão, escrevo, para aliviar esse corte que nunca cicatriza.
Corte que ainda não sei a origem, que vem de antes da consciência, sabe se lá de que vida, que nome eu tinha, que vestes me cobriam, que amores me atormentavam, que deuses me protegiam, que amigos me fortaleciam. A Noite era minha avó, a Lua minha mãe, as estrelas, irmãs. Era um tempo de fogueiras, e eu era só uma criança.
Apenas fragmentos de uma memória que corre pelas veias, ou de um fio de criatividade que se mantem.


*Alceu Valença - Pétalas

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