quarta-feira, 31 de março de 2010

Dindinha

E aquela música que toca arrepia, aquela voz que estremece o peito e faz suspirar a alma.
Dessas melodias que nos fazem querer viajar para longe sem sair do lugar, que inspiram e nos enchem de vontade de fazer coisas novas.



"A mentira é uma princesa
cuja beleza não gasta.
E a verdade vive presa
no espelho da madrasta."

Dindinha de Zeca Baleiro,
ainda melhor na voz de Ceumar.

sexta-feira, 12 de março de 2010

A aventura de escolha do aprendiz*

Li isso e isso.

Lembrei dos livros que não tenho lido. Dos já lidos que quero reler.Dos não lidos que quero ler. E dos não lidos que nem mesmo sei que existem.
Também dos textos que não escrevo mais. Da gestação dos contos e poesias que interrompi no meio e não permiti que nascessem da minha cabeça (da alma?) e voassem para o papel. São abortos que só hoje entendo.
Me afoguei na rotina, enquanto a maré me levava para onde eu achava que tinha de ir. Não lutei nenhuma vez, não tentei subir e tomar um fôlego novo.
Até mesmo agora, esse texto carregado de culpas só está nascendo porque a rotina permitiu, sobrou um tempo. E a maré continua me levando...
E não sei se luto para tomar um fôlego antes de descobrir para que ilha eu quero nadar, ou se descubro a ilha e depois tomo o fôlego.

*Título surrupiado emprestado de Rubens Alves e Raquel Costa.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Ensaindo e enrolando

O coração acelera, a boca seca, sinto a queimação ir subindo pro rosto e sei, estou corada. Mais que isso, estou completamente vermelha, roxa.
Isso porque eu nem fui ainda. É, ainda não fui falar.
Estou aqui, escrevendo isso e tentando esgotar minha ansiedade em linhas para quando eu chegar e começar a falar de fato não reste nem um pouquinho de cor no rosto. Para que minha voz saia sem medo, e não fique presa atrás da língua.
Continuo aqui. É, ainda não fui. O tremor pelo corpo continua, então é melhor esperar mais um pouco e gastá-lo nessas linhas.
Tento aprender que o máximo que pode acontecer é ouvir um "não". É, eu vou lá.

Críticas e o que eu queria

Sabe, eu queria ser mais crítica. Com tudo. Porque para mim ser mais crítica é sinônimo de ser mais entendida das coisas.
Queria ser assim com a comida, daquelas que engole uma garfada e já fala da combinação dos temperos e avisa que a cozinheira exagerou em algum tempero exótico que só quem liga para essas coisas sabe o nome.
Queria me acostumar em misturar doce com salgado, porque isso sim é sinal de paladar refinado. Mas para mim ou é doce ou é salgado, para quê misturar? É, eu não sou crítica de comida, não.

Queria apreciar vinho, sabe? Pegar aquela taça de vidro fino - mas tão fino que se espirrar quebra - balança-lá, vendo o redemoinho vermelho se formando, cheirar elegantemente com cara de êxtase. E, só então, bebericar e dar o veredicto: "as uvas foram mal colhidas". Ou "a safra desse ano foi a melhor". Ou ainda, "esse vinho não combina muito com massa, mas com peixe ia ser divino". Saber os nomes das uvas também ia ser legal, sabe?

Queria saber o nome dos diretores, dos atores. Os melhores compositores, entender dos estilos musicais.
Arte é uma coisa que eu queria muito entender. Ah, queria mesmo. As épocas, os estilos. Queria entender dos pintores, falar de arte como quem conversa do jogo da semana passada: "Picasso, ah, Picasso. Que traços marcantes. Cada pincelada era um gol." Se bem que eu também não entendo de futebol, mas essa é uma outra história.

É, eu queria entender das coisas. Discutir um filme como quem defende uma tese de doutorado.
Mas eu não sei. Eu não sou crítica, nem tenho esses gostos refinados, não mesmo.
Quando assisto um filme não me preocupo se o diretor errou no enquadramento de qualquer cena (É o diretor que decide isso?). Eu simplesmente assisto o filme.
Meu leque de críticas não inclui dados técnicos, nem temperos exóticos, não conheço das safras, nem imagino qual é a forma correta de se colher uma uva. Eu não saio do "gosto ou não gosto", mas o que define o meu gostar é o meu sentir.
Eu gosto quando um quadro me traz um arrepio na espinha. Quando uma garfada preenche minha boca de sabor e eu prendo o ar para degustar. Ou quando eu vejo um filme e me sinto nele, chorando ou rindo como se fosse comigo.
E vinho, ah, eu nem gosto de vinho (Só de rosas e sangue). Mas mesmo assim eu queria ser mais crítica.

PS: Mesmo não sendo crítica, meus sentimentos me disseram que ver fotografias, ler textos (e toda forma de arte que não entendo, mas amo) ouvindo Adriana Calcanhoto me tira o fôlego, quase que literalmente.

terça-feira, 2 de março de 2010

Chegou a hora

Já abri os olhos e soube que tudo que eu tinha medo de encarar era realmente tudo aquilo que eu era. Tudo que eu nasci para ser.
Hoje, volto a abrir os olhos, e continuo sabendo disso. Mas o medo de encarar continua aqui e, não adianta eu achar que não, eu tenho medo.
Medo do que dizem, medo do que pensam, medo de estar errada, medo de errar.
E não adianta o quanto eu diga que sou só uma curiosa, ou só uma estudante, eu sei que sou mais que isso. Não dá para renegar: eu sou uma bruxa.
Com todo o peso da palavra, com todo o lado negro que eu entendo por isso.
Não adianta mais fugir para trás dos livros, da teoria, é hora de me despir dos medos, das vergonhas e me assumir.
Hora de cuspir o máximo da hipocrisia que trago no peito e que me sussurra: "Será que é tudo verdade?".
Chega de desconfiar do que eu sei, de simplesmente dizer que acredito, é hora de simplesmente viver, de fazer que a crença teórica que carrego no peito se torne real. De acreditar que com um pensamento eu posso fazer o vento assoviar.
É hora de ser quem eu nasci para ser.