terça-feira, 17 de janeiro de 2012

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...silêncio e escuridão. Solidão.
A correnteza do rio é mais forte do que os braços podem aguentar, não há salva vidas, não há onde se agarrar. Os olhos já não podem ver.
O corpo se fecha em busca de segurança. Tensiona os músculos. A água vai cobrindo a pele, o rosto. Não existe ar.
Busca vã pelo cordão que traz oxigênio. Se foi há tanto tempo, mas as lembranças emergem sem ordem, sem nexo...
Uma criança tentando respirar, tentando lembrar. O corpo reage ao que as lembranças d'alma, mas a consciência não se conecta ao que não pode suportar.
As mãos procuram irmãs, ninguém as estende. Olhos brilham no vazio, salvação? São intimidadores, amedrontam, cobram o que não sabem dar. Mãos surgem nas sombras da escuridão. Dedos apontados.
A mente engana, não sabe o que é real. De onde vem essa dor? Quem levou toda força? O corpo exige sensações para distinguir o sonho da realidade.

...silêncio...

1 comentários:

Melro disse...

"Busca vã pelo cordão que traz oxigênio. Se foi há tanto tempo, mas as lembranças emergem sem ordem, sem nexo..."
"Uma criança tentando respirar, tentando lembrar."

Adorei. Imagens fortes e belas. A experiência de uma gravidez deve ser algo muito enriquecedor mesmo, fica evidente na escolha das palavras e metáforas. Parabéns pelo texto lindo.