Sangue, culpa e água
Afundo na água, sinto um peso me puxando para baixo, acho que é do corpo a principio, segundos depois percebo que o que me pesa tanto é o coração, cansado, machucado, obscuro. Há também algo que me puxa para cima, talvez seja a leveza de uma alma que, contra todo o resto, precisa e quer continuar. A alma aprendeu a estancar seu sangue, a cuidar das cicatrizes. O coração ainda sangra, marcas pelo corpo, cicatrizes, hematomas. Por mais que as marcas da vida sejam belas, contem histórias perdidas na noite, tento disfarçar as marcas como posso. Mas como disfarçar essas cicatrizes, vindas de cortes tão profundos, de feridas tão doloridas? O conflito entre meu coração e minha alma, um me puxando para baixo, outra para cima, me deixa ainda mais cansada. Tira meu fôlego literalmente, minha pele formiga. Meu estômago, vazio, reclama. Minha boca se recusa a cooperar, minha garganta se fecha e, o vômito me diz que é melhor nem tentar. O ar que se infiltra em meu pulmão não traz a mesma vida, vem ...