domingo, 1 de abril de 2012

"E meu erro foi crer que estar ao seu lado bastaria..."

"...e quando eu estiver triste, simplesmente me abrace"

Pedi apoio e não encontrei alicerce.
Pedi companhia e me vi sozinha.
Pedi colo e chorei na escuridão fria.
Supliquei carinho e só houve vazio.

E quando minhas forças se extinguiram, o ar se prendeu no meu peito, as lágrimas escorreram sozinhas para um lago de fraqueza e solidão. Mantive meu sangue nas veias para que aqueçam meu corpo, segurei as dores em mim e naveguei para longe.
E as juras de amor se apagaram, em vão procurei por seus braços, minguei em mim para longe das dores. Para longe de tudo que não fosse luz. Minhas sombras encobriram meu peito e meus lábios se fecharam mordidos. Amarrei minha loucura na alma, camisa de força no amor. Corri. Corri.
Fugi.
Cai.
Morde a língua para não dizer te amo.
Prende a respiração para não correr para perto.
Se fecha. Mingua. Se perde. Destrói.
Sozinha de novo, na prática de novo. Na teoria, pela primeira vez.
Fim.
Fim?
Que importa o senso das letras se meu peito não sabe mais o que é bom senso?
E a outra parte de mim? A outra parte de nós?
Nós? Não existe mais nós... existiu? Quando nós se concretizou nos tornamos eu e ele. Já faz tempo que o nós partiu, do ventre que sangrou.
Quando nos unimos em um, viramos três. Partiu. Quebrou.
Mas ele estava lá, ele viu partir. Ele me viu abrir.
Não aguentou. Dói demais ver a escuridão da fêmea. Ninguém sabe como é até encarar.
É difícil abraçar as sombras. É difícil apoiar as dores, os cortes, as cicatrizes. Os monstros da alma afungetam os homens. Os monstros das mulheres são medonhos.
É difícil encarar a escuridão da lua cheia que mingua. Foi difícil encarar a luz brotando do ventre. Hoje ele sangra, hoje ele mingua, hoje é a sombra que brota.
Importa agora? Importa, importa.
Quero chorar. Quero entender. Queria um abraço daquele que não encontro mais, ele se perdeu nas sombras dele. Talvez seja as dele que não suportou.
Se tornar pai é abandonar o filho que já foi. Como nasce um pai?
Como morre um amor?

Não quero sangue, só quero amor.
Acabou.

"E quando eu estiver morto, suplico que não me mate, dentro de ti..."


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